terça-feira, 21 de agosto de 2012

Anjo





"Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti.
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento, desabam no abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que o teu mistério seja uma noite, enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão, se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota como um pássaro, as canções que tens na garganta.
Canta! Canta para conservar uma ilusão de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo.
Rumo ao céu?
Que importa a rota!
Voa e canta, enquanto resistirem as asas."

(Menoquia del Pichia)


"Não quero perder as minhas asas,
por isso não vou crescer - apenas me desenrolar."
[Lya Luft]




sábado, 18 de agosto de 2012

A Borboletinha





A Borboletinha

I
Em suas asas coloridas
Nas revoadas de cetim
Brinca, brinca a borboleta
Voando em meu jardim

II
Passa o tempo, formosa vida
Nas estradinhas de capim
Brinca, brinca a borboleta
Sorridente em meu jardim

III
Sua beleza pousa afoita
Nos meus lábios de carmim
Brinca, brinca a borboleta
Na minha pele de marfim

“E Leve voa a borboleta na estradinha de capim...”

Por Donzella do Gelo



A Letargia




Abre a boca e engole
as verdades que tenho a
lhe dizer

Vira e revira esse corpo
que eu mesmo marquei
por te querer

Olha o meu rosto
e entenda as marcas que
deixou

Escuta e não provoca
esse golpe que te preparei
por toda noite

Entorpecente relação
fusão maligna
de desejo e possessão

Coisa doentia

Que me prende entre
teus quadris
na tua boca vermelha

Nas tuas mentiras
onde tudo é tão breve
nesse calor que no cega

Onde a neblina cobre meus olhos
nas calúnias que levantas
enquanto meu corpo absorto

dorme.


Por Donzella do Gelo


.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Sonho





Não haviam ainda me falado que seria assim, as dores, os problemas e as tentações. Era um mundo mágico que de fato vislumbrava. Não havia ainda espaço para um entendimento, para saber quando tudo teria seu início. Era como entrar numa dança, e mesmo que desengonçada, ser perfeita. Uma perfeição ilusória, mágica de curto alcance e discursos de um mundo, onde os problemas eram todos solucionados. Um mundo de maravilhas. Bobagem.

Toda a questão é que ainda sou a mesma garota, apenas uma garota, que tinha expectativas com o mundo e com as pessoas. Mas isso, voou para muito além do meu alcance. Então na verdade refugiei-me em meus sonhos, no meu sono diário. E toda vez que fecho meus olhos, desvio-me da vida tão pesada. Voar para longe a cada lágrima, a cada noite, da tempestade, para um repleto dia de sol.

Mas os problemas, as faltas, os riscos, estão logo ali adiante. Contudo, não se pode ver a floresta pelas árvores. Então é preciso seguir adiante, ser firme e resgatar-se a cada dia. Não perderei os sonhos, nem o sono. A vida é mistura, e agora sei que tudo coopera para que a cada manhã, a gente se desperte e repense em cada erro, e em cada acerto. Sonhar é preciso. Tocar as alturas e sorrir pra vida é necessário.

Doces sonhos são forjados disso, de viagens pelo mundo, mesmo que os nossos pés estejam fincados ao chão. Pois todos estão a procura de algo. A roda da vida não pára, nunca retrocede ao contrário adianta-se a cada dia, a cada movimento, seu, meu, nosso.  

Donzella do Gelo

Poesia


Poesia


Poesia,

Porque arde,
me incendeia, queima e então renasce,

tudo em mim,

tudo por fim, recomeça a nova arte.

Donzella do Gelo

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Outono




O Outono

Aquele gemido era quase inaudível. Sentimentos apurados que se dividem entre o osso e a medula. Uma face, faceta inalterada, escondida numa tatuagem feita a golpes de faca.

Cada fio de pensamento não era o alento esperado, o cintilar dos olhos estavam agora foscos e perdidos, receosos de toda dor prevista, revista e esperada. A frente de seus olhos àquelas horas eram forjadas, mal traçadas. Linhas tênues que dividem seu mundo. Um corte profundo lançado ao vento, um pensamento impuro de desejo em desespero no rio dos sentidos.

Fios soltos de um conto sem fim. Um mundo difuso, porém inalterado. Ritos e invenções feitos de tapas e raios luminosamente belos e coloridos nas entrelinhas dessa história. Algo como fisgos, cortes e lanças. 
Uma busca constante, uma fuga de si para si mesma.


Por Donzella do Gelo - KFonte

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Lua




Quando a lua teima
ficar
acordada
de pé se coloca
entre galhos e gravetos
e
de luz posta
é hora
... de esperar á porta
a suave entrada
dos ventos amantes

Por Donzella do Gelo - KFonte

sábado, 4 de agosto de 2012

A Saudade



E o médico perguntou:

- O que sentes?
- Sinto lonjuras, doutor.
Sofro de distâncias.

[...]

bonsais atômicos, Denison Mendes

O Retrato


O Retrato

Nas bordas envelhecidas está o retrato. Eu poderia dizer que soa decadente. Mas os restos que ficaram não estão nas bordas, ou na imagem. Estão nas cartas escritas, restos de longas poesias. Feitas em nossas trocas. 

Você não tem talento para criar frases poéticas, eu sim. Mas por muitas vezes para que você me entendesse, eu suspirava pelas paredes envelhecidas do nosso quarto. E com meu suor, escorregava no chão, marcando sinuosamente meu desejo. 

Esta é minha escrita para você. Minha letra cursiva, morde suas costas e ombros, é meu modo de lhe dizer, que ainda estou aqui. E que te amo.


Por Donzella do Gelo - K Fonte

A Lua

A lua nua, dança e flutua. Muda, e brilha sonhos. Chris Fonte - Donzela do Gelo