terça-feira, 26 de junho de 2012

A Morte é Vermelha





A Morte é Vermelha

"Aos Grandes" Por Kika Fonte 

Sabemos que existem, vários instrumentos de análise literária para se julgar os textos, porém aqui julgaremos os texto não pela sua mensagem, mas pela sua capacidade de persuasão. Minha base é esta: Aristóteles comenta que a obra de arte deve ter o poder de seduzir quase que imediatamente seu público. Eu não vejo esta linha de Aristóteles quando comentam autores como Anne Rice ou Joyce. Portanto quero lembrar que tal linha se traçou na Idade Média e hoje é pouco usada, o Perelman que introduz esta linha é ótimo com o pensamento de Aristóteles, portanto é o que levaremos em conta por aqui! Grande beijo e vamos nos divertir! 


A Morte é Vermelha por Kika Fonte 

Como águas de chuvas que transbordam o poço, Anicia conheceu algo novo . Algo que fincou em seu olhos, o desejo. Ela conheceu um lobo que se dizia, "o tolo". E ele trazia a Morte nos olhos. Mas Anicia que sina, via tudo preto e branco, mas o lobo...Este via tudo colorido. Anicia então se encantou pelo lobo, que lhe contava sobre as cores do mundo. (Este lobo porém não era tolo.) E os dois formaram um par! Ela era Preto e Branco, e ele era todo colorido. E viviam alegres, sendo tudo que um, poderia ser para o outro. Mas um dia ( sempre há outro dia ). Parou de chover...e o lobo...se "desfez" de tolo. 


E Chamando Anicia para subir uma colina; Ele dizia:

- Vou te mostrar no alto da colina que você também pode ver o mundo colorido. 
- Anicia estremeceu. Exclamou! 
- Eu?? Verei colorido como o lobo vê! Vamos lá, quero crer! 

Tudo que Anicia mais queria, era mesmo ver as cores. 
E o lobo, gostou, Anicia estava no papo, no ponto, na medida, de sabida? Nada tinha... 
Numa rápida magia subiram então a colina. 

No topo Anicia grita!
- Eu vejo o Olho do mundo! 

O lobo sem demora, logo deu sua primeira investida..
- Vês o que Anicia? O olho do mundo? 

Anicia toda Preto e Branco dizia ...
- Sim eu vejo! 

E ele sem demora...
- Eu o Vejo colorido!! 

Então, Anicia cobiça o Mundo colorido que o lobo vê, e o lobo percebe... 

- Que desejas ver ? 

E ela tadinha, que gostava do vermelho, porque todos diziam que era a cor da vida disse: 
- Quero ver o Vermelho!! O vermelho! 

E nesta hora ventava, e o lobo sangrou de alegria, lambeu as patas e partiu para Anicia. Ele chegou bem perto, e deu-lhe uma lambida. Anicia se viu tonta, atordoada mesmo , e seu desejo cresceu..Mas...Ao abrir os olhos, viu os olhos do lobo, que não é mais tolo, e de lobo não tinha mais nada... 


E Anicia diz! 


-Vejo o Vermelho! Mas ele não me conduz a vida! _ E quem é você? ! ? Perguntou Amedrontada 

O lobo, que não era mais lobo responde: 

- Meu Nome é Hades e lhe trago a cor dos teus sonhos! 

E neste momento, uma melodia tocava e dançavam em pleno ar ! E Hades segurando Anicia, transfigurou-se mais ainda, seus olhos ficaram vermelhos, suas presas cresceram e seu corpo eram duas vezes maior que antes. Anicia se viu presa, e mesmo assim se alegrou, pois diante dos seus olhos, lá estava o vermelho. Até que sentiu seu coração rasgar, as mãos de Hades estavam sobre ele. E Anicia, se vê banhada de um vermelho oscilante. Sentia as brasas do inferno, naquele momento delirante! 

E ainda assim durante a dor de sua perdição, numa oração Dizia: 

- Muitos rezam para você por medo do fogo _ E muitos te pedem um Jardim _ Mas eu não rezo para você desta forma, porque não tenho medo do fogo! Nem te pedi um jardim! _ Mas tudo que te pedi, era a essência do teu amor, e queria tornar-me tua face, para ver as cores. 

E naquele momento mágico e apavorante, Hades a abraça e lhe diz: 

- Criança eu lhe trouxe a cor vermelha, brinque e aproveite, pois é a única cor que hoje verás! 

E Anicia brincava, nas mãos de Hades toda inocente. E nos olhos do lobo, que agora era homem, Anicia desfalecendo reconhece a Morte.

Hoje no vilarejo perto da colina, sem saber se Anicia "morreu" mesmo, contam lenda assim: 

- Uma menina, cujo nome era Anicia, por ver tudo em preto e branco, cobiçava as cores do mundo. Um dia, encantou Hades o deus dos Infernos e da Luxúria. Ela por querer ver as cores e Ele por achá-la especial, saíram para ver o Mundo. E lá no topo da colina, dançaram juntos. E ele enganando-a, lhe deu uma única cor, a vermelha. Dizem, que ela foi feliz, pois viu o vermelho, dizem também que ele a amou, e a levou para enaltecer seu mundo, seus domínios, pois nunca soubera de um mortal que via preto e branco. E hoje em noites de luar, muitos juram, que uma parte da colina sangra a cor vermelha. E no vilarejo, outros tantos, podem ouvir ainda Anicia gritar: 


- Cuidado! A Morte é vermelha, e vem pelo Olhar!


Por Donzella do Gelo

sábado, 23 de junho de 2012

Sem Asas





Sem Asas - Por Donzella do Gelo

És aquele mundano
Que busca seu canto
No canto do olho
Direito

Que sai pelas noites
Tórridas, lacrimejantes
Profano anjo sem asas
Caído

Tomando almas
Lambendo corpos
Almas sutis que corrompes
Sem golpes

Teus olhos verdes
Tua pela cálida
Embala, minhas
Entranhas

Estranha magia
Feitiçaria, “macumbaria”
Que me rendeu
Desespero de amor

Misturando a emoção
De provar-te
Decifrar-te
Nos movimentos
De tuas entranhas

Deixa, calar-te
No escarlate deste beijo
E cobrir teu corpo
Neste linho da mesma
Cor

Por Donzella do Gelo


terça-feira, 19 de junho de 2012

A Trave







Olha Primeiro a Trave no Teu Olho…

O sermão do monte é o marco que iniciou a caminhada de Jesus no seu ministério de ensino aos seus discípulos. Depois de separar seus doze apóstolos, percorreu toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino de Deus, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. Assim a sua fama correu por toda a Síria. De sorte que o seguiam grandes multidões. Jesus, pois vendo as multidões, subiu em um monte e passou a ensiná-las sobre o Reino de Deus.

E abrindo a sua boca, disse-lhes:

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão" Mateus 7.1-5.

Não julgueis" está no presente, e "para que não sejais julgados" está no futuro. Não estamos em tempo de juízo, mas se o usarmos neste tempo, então quando chegar o tempo de sermos julgados, será usado contra nós na mesma medida que julgamos.

Por Donzella do Gelo

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tudo Passa





Tudo passa

Até a chuva na janela, e os laços de fita.
Passa o vento, e as canções bonitas.
Passam os tempos e os temporais
Passam também os choros e sorrisos.
Passam os bichos, os ciscos nos olhos
Passam os cânticos contidos, olhares infindos.
Passa o amor, e desamor também passa.
E passando tudo isso, passa a vida a limpo.

Por Donzella do Gelo

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Poder.





eu poderia.

eu poderia escrever
- Como um livro de
poesia intitulado

"O meu coração em espera"
Ou eu poderia pintar você
em uma tela com
monet-como-céus

eu poderia desgastá-lo
na minha manga -
Então eu poderia carregá-lo
comigo sempre

eu poderia esconder você
como discos antigos
e ouvir o
ritmo da sua alma
quando você me beija




Por Donzella do Gelo

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Oração





A Oração

Ainda que o cansaço sobrevenha neste corpo cansado
Ainda que da luz se façam trevas
Teu olhar sobre mim sempre terei

Ainda que os leões rujam, e os amigos me faltem
Ainda que todos se virem contra mim
Tuas mãos sobre mim sempre terei

Pois tu, Óh Jesus! É meu amigo fiel
Pois tu, Óh Senhor! Me olha e me guia no caminho
Sem tu, Óh Jesus! Não há trevas, nem tão pouco luz

Por isso me abrigo nos braços teus
E ali descanso os olhos meus
E meu corpo tão exausto sei que levas a cuidar

Há de ter um lugar, meu bom Senhor
Onde a dor não haverá
E aquele brado da conquista, da vitória hei de dar!

Por Donzella do Gelo Em vila Velha 31/01/2012

sábado, 9 de junho de 2012

Pensagem Anti-Poética







Pensagem Anti poética - Por Donzella do Gelo


Já faz algum tempo que observo minhas mãos. Pálidas, serenas, frágeis. Contudo há algo de ameaçador nelas. Simultâneamente os vasos sanguíneos que sob a pele se distendem, os nervos que se contraem quando as fecho. Parece que são algo fora do corpo, como se estivessem á parte. Sinto toda a intensidade até mesmo quando os dedos repousam. Eles são grossos, médios e que por muitas vezes arranham as paredes deste cômodo frio, este quadrado no qual me finco.

Sempre que me olho no espelho, por vezes me vejo fora de ordem, como se todo ponto fosse de fuga, que conduz a vida ou a morte. Sensações das quais nunca sonhamos um dia viver. Não faço idéia de onde eu esteja neste momento as lembranças, meus olhos parecem estar alheios e estranhos ao destino que ás vezes, penso não serem passíveis de explicação ou entendimento, mas isso não importa, o que importa é a distância e a proximidade de cada um dos meus dedos. Eles seguem juntos a palma de minhas mãos, que variam sem uniformidade me dizendo todo o tempo que sou destra, tão destra que por vezes creio ter apenas uma articulação, a direita. Deixando a esquerda numa infância abstrata.

Mas quando fecho as mãos, elas se transformam no meu sol particular e quando as abro as duas mãos irradiam feixes de luz, pois tudo cintila. É ai que percebo que lá fora existe vida e sonhos que me dizem que o mundo marcha, intenso, infesso ás nossas dúvidas. Como se cada um fosse dono do seu próprio paraíso e do seu inferno, o que varia isto é a forma de como encaramos o abrir e o fechar de nossas mãos.

Por Donzella do Gelo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A Vida.







A Vida.

Gosto de ficar no cantinho. Olhando de canto de olho o movimento da vida e arregalar os olhos nos acontecimentos bem bacanas. Ficar lá, curtindo sonhos, mesmo que sejam os de padaria. Tomar no frio sopas de letrinhas, e formar com elas frases bonitas na minha cabeça. Beber a pequenos goles, muitos momentos felizes. Ah! Felicidade de golada grandona, é com amigos e família perto né? Ouvir a chuva no telhado regando as nossas vontades. E contar segredos para Deus. 

É fácil ser feliz, basta anotar cá dentro da taboa do nosso coração as regras básicas pra se viver bem. Amar, sorrir, amar, brincar, amar, respeitar, amar, cuidar, amar, resgatar, amar e tantas outras coisas mais que a gente pode fazer mais e amar! Ufa!

A vida é assim, simples, não é tão complicada a ponto da gente ver tudo em preto e branco. O colorido, quem dá a vida somos nós. Ah! E o sabor também. Ela pode ser docinha como morangos maduros, ou manga, ou qualquer outro sabor que você goste. Isto fica por nossa conta mesmo. Há quem goste de viver no amargo, eu detesto gengibre, quando provo minha cara que já não é muito bonita fica toda enrugada. E então envelhecemos mais rápido por dentro e por fora. 

Quero ser jovem aqui dentro de mim sempre, e brincar de cubo mágico, desenhar, e rascunhar meus textos, fazer poemas pra essa vida linda que o Senhor nos deu. É isso, se um arco íris nos alegra no fim da chuva. A Nossa vida dever ser assim também, toda colorida para aqueles que precisam saber que tudo está cercadinho de amor. Que nem um quintal de grama, verdinha, verdinha pra gente brincar.

Por Donzella do Gelo

O Poço





Um poço 


Era uma vez um poço. Destes profundos e escuros, que não vemos o fundo. Era o poço o mundo e de seu mundo se fez a vida. Por muito tempo, o poço saciou a sede do homem. E o homem acolheu a sede do poço. Assim ambos eram um para o outro, o que só um poderia ser para o outro. O homem e o poço. A fonte que sente a sede do moço, e por sentir, água se faz.

Um dia houve a noite. E o poço acordou só. Esperou um dia. Esperou uma estação, mas era o fim da união. A chegada do inverno da solidão. O poço secou. Vazou. Fechou. E tudo foi silencio na casa do tempo.

O tempo que trouxe a chuva. E o poço de amargura se encheu. E no espelho de suas águas se afogou a lua, nua. O poço era fundo, como o furo no olho do mundo. Do segundo se fez as horas, e não ouviu-se mais o seu choro. 

Até que um dia houve outro dia. Um viajante cansado, com o olhar de lobo iluminou o poço de sede. Ele o tocou com suas mãos fortes, com sua pele áspera, com sua fome. Lançou seu chamado, seu brado, seu pedido da água da fonte. Mas o poço que antes era solidão, viu nesta sede uma nova ilusão, de ser tão somente água e não ser o fundo do mundo. Morreu. A história esta completa, e o que resta a dizer, é o que poderia ser. Versões da estação do coração. 

O poço então não saciou a sede do moço. Não de uma vez. A cada gole de suas águas, o poço o puxava. Até que não era mais água que o moço bebia, mas sim água de sua fonte. Sua fonte. Descoberta por acaso, como é o acaso o destino de viver. Com o poço o moço mudou a terra árida dos seus dias. Plantou e colheu bem querer todos os dias. E tudo era alegria na casa do moço, e o poço, este era de transbordar o que chamamos amar. 

Assim correu o tempo, e es que o moço se lembra do seu olhar de lobo, quando a lua traz o lado oculto em cada vulto. Seria quase um rito, um lobo ser tão somente um mito. Ele era por inteiro, o seu mundo um celeiro. Tinha a fome da busca. 

O poço nada entendia, pois já de novo sentia, o que hoje ou amanhã haveria. Seria de novo o tempo da seca, a estação negra do branco nos olhos. Seria de novo tudo tão velho e a casa em ruínas saberia da antiga sina. A água não cabe no coração do homem. O poço só o prende enquanto existe o escuro no fundo. Morreu o poço novamente em minha mente. Me salve leitor, me jogue nas águas do vento, pois tudo que de mim vem, ao vento voltará. 

Por Donzella do Gelo - O Poço.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A igreja .




Imagem de: Inês Bustamante Kayashima

Por: Donzella do Gelo

A Solidão






A Solidão é de uma simplicidade.
Na sobra do meu peito.
Na imensidão do meu vazio.
Uma coleção de dores, quase verdadeiras,
que se vão pelo caminho.




Por Donzella do Gelo

A Lua

A lua nua, dança e flutua. Muda, e brilha sonhos. Chris Fonte - Donzela do Gelo