Nasci e meu verbo sempre foi rouco, algo quase calado e diante disso soube naquele momento que a minha responsabilidade era ser feliz, amar, ser forte nas minhas fraquezas.
Confesso doeu-me o crescer das asas!
E então, no decorrer dos dias, era feita de vários recomeços, de dias dançantes e chuvas de sonhos.
Ser como sou, é se amarrar a casa e cuidar dela para que pelas frestas mesmo que timidamente , o sol entre por elas, juntamente com os sentimentos e as escolhas.
A vida me fez assim dona da palavra rouca que me permeia, que abriga.
E a amplitude do amor que sinto por aquele que amo não corta minhas asas. Pois sou a bruxa dos meus próprios contos, que estão refletidamente escritos na minha pele branca, que arde constantemente em mim, e nos que podem me olhar com mais avidez e um certo entusiasmo.
E nisto tudo viro o cheio do abstrato para muitos, viro as segundas-feiras que passam na sua rispidez e por momentos viro a sexta que todos almejam, no gole da cerveja, no sabor do vinho ou no ardor do wisk.
Gosto de ser como sou, aprendiz de mim. Gosto de ser os trilhos, de ser as bagagens da viagem e gosto de lamber as cores.
E todas as rimas que crio, eu as faço nas paredes que aos pouco de mim vão cedendo, sedentas da rouquidão de um blues numa mesa posta, e pela janela a visão que tenho são de cenários imensos, repleto de cores. Por isso hoje amanheci assim, brincando de vida.
Por Donzella do Gelo kFC