A CHUVA AÇOITA MEU ROSTO
Bella Akhátovna Akhmadúlina (1937-2010)
A chuva açoita meu rosto, meus ombros,
a tempestade ronca e vem aí.
Cai sobre mim, a carne, a alma,
como a tormenta sobre a nau se abate.
Não quero, não quero mesmo saber
o que me acontecerá depois -
se serei esmagada pela dor
ou se jogada contra a felicidade.
Com medo e alegre, juntos os dois,
como a nau que atravessa a tormenta,
não sinto pena de te conhecer
nem tenho medo de te amar também.
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